Escalada para o amor
- Publicado em 31.01.12
- Sociedade
Quem nunca viveu uma situação de constrangimento ao ouvir a palavra amor, ou declarações de amor incomodado por suas várias conotações?
Na nossa língua, muitas vezes usamos a mesma palavra para situações diferentes, fazendo com que duvidemos do seu sentido verdadeiro ou então não comuniquemos o que queremos ou não entendemos o que querem nos comunicar, por tudo isso, a palavra amor frequentemente tem seu significado questionado e banalizado.
Interessante notar que todos os significados fazem menção a uma forma de relação humana. Analisaremos a palavra amor segundo sua origem no grego.
Eros, usado como raiz da palavra erótico, é o amor que toma, significando atração física. É acima de tudo, um tomar para si, ou seja, não doa, mas quer receber, fundamentado na aparência física.
Philia , traduzido por amizade, é um amor que partilha. Recebe, mas também doa. É um amor mútuo. Em outras palavras, ama quando é amado e quando não se sente mais amado, deixa de amar.
Ágape, o mais completo sentido dessa palavra é amor divino, gratuito, sem interesse. Ágape é o amor de Deus para conosco. Ele ama quando não merecemos, quando não correspondemos, quando não temos nada a oferecer. É amor altruísta, generoso. É também amor de cruz, de martírio. Jesus viveu plenamente esse amor.
Certamente já vivemos esses três significados da palavra amor. Mas então o que fazer?
Podemos tornar esse um processo de escalada até o ideal cristão de amar como Jesus amou. Se observarmos em nossa história pessoal ou na história de pessoas com quem convivemos, parar no Eros torna o ser humano egoísta, desenfreado em suas paixões, proporcionando uma vida instintiva e relacionamentos doentios. Viver a Philia é muito importante, mas como um passo. Se eu já consigo partilhar o meu amor com aqueles que me amam estou em processo de amar gratuitamente, porque nessas relações há momentos em que precisamos aceitar o erro do próximo, precisamos perdoar, recomeçar. Assim, dessa forma, como uma subida por uma escada vamos ultrapassando as barreiras que dividem o sentimento (Eros) da atitude (Ágape).
Embora nossa cultura ocidental, pragmática, imediatista e relativista, faz com que o amor que dizemos ter seja meramente superficial, Jesus nos ensina que amar, com amor ágape é possível.
Não permitamos que nossos relacionamentos sejam superficiais e que a palavra amor seja banalizada, mas vivamos o amor de Deus, vivamos o ágape intensamente e sejamos fiéis ao que Jesus nos pede quando nos diz "amai-vos uns aos outros como eu vos amei." (Jo 15, 12) e ainda "como o Pai me amou, assim também eu vos amei." (Jo15, 9).
O amor faz parte da nossa identidade de filhos de Deus e Jesus nos mostrou como é grande a capacidade que temos de exercer a nossa filiação. Amemo-nos não com palavras, mas sobretudo com gestos, com atitudes, com gratuidade, com o amor Ágape.
Por Renata Souza, Missionária da Comunidade Deus Proverá

